Não tinha sido machucada. Apenas humilhada.
Em seguida, escutou a porta do quarto abrir e percebeu que tinha sido otimista demais.
Ela virou-se defensivamente.
- Achei que você tivesse voltado para seu quarto.
- E voltei. - Ele colocou a garrafa de vinho que carregava e as duas taças sobre a mesa-de-cabeceira.
- Meu lugar é aqui ao seu lado, mia bella sposa.
Ele sentou-se na beira da cama para servir o vinho, depois entregou-lhe uma taça.
- A nossa verdadeira lua-de-mel - ele disse, e bebeu.
Vane encarou-o.
- Do que você está falando? - ela perguntou sem ar. - Você teve o que queria. E agora eu aceito que não vai haver anulação - ela acrescentou amargamente. - Você deixou isso bem claro. - Ela respirou fundo. - Mas eu vou aceitar suas condições de divórcio caso tudo isso pare agora e você me deixe em paz.
-Você pensou que depois de esperar por três anos eu ficaria satisfeito com uma performance sem graça? - Zac perguntou cinicamente. - Está enganada.- Ele sorriu para ela. - Você tem um corpo lindo, minha doce, e eu pretendo aproveitar tudo isso sempre que e como eu desejar, enquanto durar nosso casamento.
- Mas você veio aqui para falar de divórcio! - Ela estava quase implorando.
- Oh, isso vai ser adiado - ele disse. - Indefinidamente.
A voz era incrédula.
- Até quando?
Ele sacudiu os ombros.
- Até, talvez, o gelo derreter. - O sorriso dele era sarcástico. - Veja, Vanessa, você se tornou um desafio.
Ela levantou o rosto.
- Mesmo eu tendo acabado de mostrar que não quero você, e nunca vou querer?
- Você não pune ninguém além de você mesma, mia cara - ele disse-lhe. - A habilidade de um homem para obter satisfação não depende do prazer de sua parceira. Embora seja incitado por ele, naturalmente. - Ele fez uma pausa. - Eu me acostumei a esperar. Não vai ser tão difícil assim - ele acrescentou suavemente.
- Eu odeio você.
- Pelo menos não vai me cansar com declarações de amor eterno quando nos separarmos. - Ele pegou o vinho da mão dela e colocou-o de lado, depois pôs a mão no bolso do roupão. - Dê-me sua mão.
Ela obedeceu com relutância e observou Zac deslizar a aliança de casamento de volta no dedo dela.
- Onde você pegou isso?
- No seu antigo quarto em Manor. Soube pelos advogados que você não estava mais usando. - O sorriso dele foi irônico. - Somos finalmente marido e mulher, caríssima.
Ela levantou o rosto imediatamente.
- Você disse... antigo quarto?
- Instruí a signora Penistone a preparar a suíte master para nós quando voltarmos para Manor.
- Mas você não pode - ela protestou angustiada. - Aqueles eram os aposentos de meu pai!
- Os aposentos dele, Vanessa. Não o santuário dele.
- Você não tem o direito de dar uma ordem dessas na minha casa!
- Tenho todos os direitos que quiser. - Zac tirou o roupão e juntou-se a ela na cama novamente, puxando-a para junto dele. - E agora talvez seja a hora de eu fazê-la se lembrar de alguns deles - ele acrescentou, colocando os lábios entre os seios dela.
E, então, ela se lembrou de tudo o que ele dissera e fizera.
Centímetro por centímetro, ela começou a afastar-se dele, mas ele não se mexia.
Soltou um suspiro silencioso quando seus pés tocaram o chão gelado. Foi até a janela na ponta dos pés.
Estava nevando. Havia montes e mais montes de neve. Parecia que iria ficar presa com ele ali. E não havia nada a fazer.
Ela suspirou, depois pegou uma muda de roupa e saiu do quarto sem fazer barulho.
Dentro da banheira, ficou encarando o nada. Sentia-se exausta. Ele a usara para seu divertimento, como se fosse algum brinquedo com uma série de possibilidades que estava curioso para explorar. E fazia isso com uma completa falta de inibição.
Com os olhos queimando, Vane começou a se ensaboar da cabeça aos pés para não deixar vestígios dele para trás.
Zac viera em busca de vingança, pois ela o fizera parecer um idiota. Mas quaisquer que tenham sido as ameaças, ele não iria levar o casamento adiante. Seria custoso demais, e ele precisava se concentrar em ganhar mais milhões.
Seca e vestida, ela penteou o cabelo para trás e fez uma trança, tentando ignorar os olhos vermelhos que a encaravam do espelho.
E mais cedo ou mais tarde Zac se levantaria e desceria as escadas procurando por ela. E ela precisaria de toda a coragem que possuía para conseguir encará-lo, para conseguir fingir novamente que não se importava com o que ele fizera. Que nada importava.
Mas por quanto tempo conseguiria suportar? Na noite anterior, tinha precisado de toda a força de vontade para ignorar seus instintos famintos e desnorteados e manter a postura impassível. No entanto, por mais que tentasse, já percebera que era quase impossível separar-se completamente do que ele estava fazendo com ela.
Especialmente quando ele parecia determinado a excitá-la.
De repente, começou a especular como Zac fazia amor quando estava apaixonado. Se havia diferença em seus beijos, no toque de suas mãos. O que ele diria para sua mulher quando estivessem deitados juntos. Será que ele simplesmente a seguraria bem perto em silêncio, com os lábios encostados nos cabelos dela?
Ela estremeceu quando se afastou do espelho e desceu lentamente as escadas para começar o primeiro dia de seu casamento indesejado.
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